A Substituição

Após aquele primeiro ano de regresso a São Paulo, como era época de férias escolares, resolvemos viajar, minha mãe, meu irmão e eu, partimos rumo a uma pequena cidade de Minas Gerais, local de nascimento da minha mãe, e onde haviam muitos parentes para serem visitados.

Logo pela manhã, num clube local, como não havia perdido o meu jeito calado e solitário, retirei-me de todos, e dirigi-me a borda da piscina, passando a observar passivamente a água, quando de repente o minha atenção foi desviada para o horizonte e pude avistar ao longe, vindo como uma bola de neve, uma densa e enorme nuvem negra a se aproximar, parecia uma nuvem de gafanhotos, ela vinha em minha direção, e antes que eu pudesse dizer para alguém:

"_Olha lá!", ela caiu sobre mim, invadindo o meu ser; como resultado senti uma forte necessidade de me atirar na água, de me afogar, de morrer, tamanha era aquela angústia que estava sentindo. Havia um enorme peso nos meus ombros.

Ainda absorvido por aquela força desconhecida e impiedosa, ouvi alguém chamando-me, era a minha prima, que me fez despertar daquele transe e fui ver o que queria; dizia-me que havia um telefonema da minha tia, que estava em São Paulo. Ajuntamos nossas coisas e fomos para casa.

Minha mãe atendeu ao telefone, e passou a ouvir; as únicas coisas que ela falava era:

"_ Mas, quando foi? Hoje? Meu Deus! Você está no hospital?"

Então com um semblante totalmente espantado, minha mãe entregava-me o telefone, para que eu falasse com a minha tia; dizia ela, meio que sem jeito, que o meu pai havia falecido algumas horas antes de cirrose hepática e insuficiência cardíaca, e perguntava-me se eu desejaria ir para São Paulo, acompanhar o funeral; eu não pude chorar, no entanto, minha mãe teve um ataque de choro repentino, nunca a tinha visto chorar tanto.

Imediatamente corri para o toalete bastante revoltado, e procurei entender e assimilar o pesado golpe, eu queria derramar alguma lágrima mas não conseguia. De súbito vieram a minha mente as imagens do enterro do meu amigo em Sorocaba, dos pesadelos que tivera comigo num caixão, com o meu pai perguntando o porque eu tinha permitido aquele novo homem, da minha recusa em vê-lo e dele agora num caixão; eu queria correr e dizer para a minha tia:

"_ Tia diz para o meu pai, que eu aceito vê-lo sim! Diz que eu vou me encontrar com ele!", mas já era tarde demais.

E então, aquela terrível força estranha veio sobre mim, e fez-me encarar o meu semblante diante do espelho, quando assim fiz, comecei a ver que o espelho parecia se contorcer, parecia que estava derretendo; daí passei a declarar algo que parecia estar sendo ditado por alguém:

_"Pai, não vou deixar que eles me façam o que te fizeram, eu o vingarei! Serei o vingador da nossa descendência!!

Nota  Importante: Fui levado a acreditar que a hereditariedade, através de meu pai, havia sido um fato, ou seja, assim que se deu a morte do meu pai, o seu “cajado satânico” passou das suas mãos para as minhas (eu estava com 12 anos e meio); que veio, como já descrevi, na forma daquela estranha nuvem negra; aquilo era todo o contingente de demônios a procura do único descendente da linhagem do meu pai. Mas o mundo jaz no maligno. Eu era do mundo, portanto todos esses conceitos mentirosos, eram de fato reais naquele contexto. Ainda que mentirosos do ponto de vista de Deus!!!

Ele não havia deixado-me nenhuma herança material, salvo um documento, a saber, uma certidão de óbito, que dizia ter ele deixado um filho com nome ignorado. Aquilo não era culpa do meu pai, e sim, das pessoas da família que cuidaram do funeral.

Ter sido ignorado, até mesmo, num pedaço de papel, fez com que um mar de tristeza, mágoa e revolta inundasse o meu coração. Minha mãe quis recorrer a advogados para mudar aquela papelada, mas diziam: "_ Para que gastar dinheiro com advogado, o pai do Flávio não deixou nada mesmo."

Mal sabiam estas pessoas que o nome do meu pai importava-me mais do que qualquer outro patrimônio ou bem material.

A partir desse dia a minha vida mudou, havia agora uma revolta interna prestes a ser detonada, ainda mais quando eu soube que no enterro do meu pai, só estava presente um dos seus irmãos, e a minha tia materna; a partir desse dia eu passei a ter uma estranha atração pelo álcool e o oculto me atraía grandemente. Por outro lado, as enfermidades intensificavam-se ainda mais.

Eu regredi notoriamente na escola, quem quer que abrisse os meus cadernos escolares poderia encontrar rabiscos tais como: "I love satan", "666", "Ave Lúcifer", pentagramas, suásticas, e por aí afora. Da mesma maneira, eu costumava pichar os tais escritos nos toaletes da escola, como também nas paredes.

Comecei a notar que eu era seguido incansavelmente, por vultos e passos. As noites sem pesadelos eram raras. Quando deitava-me para dormir, parecia haver no meu quarto centenas de pessoas a falarem ao mesmo tempo, aquelas vozes não me deixavam em paz.

Certo dia, fomos a um terreiro de candomblé, convidados pelos meus tios maternos, um era "ogan de toque" (tocava os atabaques), este tinha sido iniciado pelo seu irmão mais velho, aquele que foi introduzido ao ocultismo pelo meu pai, ele naquela altura era "ogan de corte" (sacrificava os animais).

Eu já havia estado num lugar daqueles antes, na minha infância, mas era a primeira vez que eu retornava aquele mesmo ambiente, como um pré adolescente; e odiei, pois me impediram de ver a matança dos animais, era tremendo observar aqueles animais grunhindo, berrando ao perceberem que a morte estava as portas, aquilo tudo me fascinava; eu queria me expressar e dizer para que não me subestimassem ao me proibir de ver todas aquelas cenas; mesmo assim, proibiram-me, e o pior, fui colocado numa pequena sala (roncó), mandaram-me deitar e cobriram-me de balas, com uma ordem: _"Não coma as balas!" Dito e feito, comi todas. Eu tinha um certo prazer em "retaliar" autoridades que me proibissem de fazer qualquer coisa.

Mais tarde, ouviu-se o rumor de que aquele "babalorixá" - "pai de santo", ou melhor, "pai de chiqueiro", era um impostor; mas repare, os demônios não deixam "barato", mesmo que seus escravos estejam apenas a brincar, eles, os demônios jamais perdem viagem. No entanto, meus tios conheceram outro "feiticeiro", desta vez sério e bastante eficiente nas artes ocultas africanas.

Nas festas onde toda a família se reunia, o meu local predileto não era brincando com a turma da minha idade, mas sim ao lado do barril de cerveja; ninguém podia notar que eu literalmente, enchia a cara, e muito menos podiam repreender-me por aquilo, afinal, eu sempre bebia da mão de um adulto. Não perdia a oportunidade de "enxugar" literalmente os restos dos copos de bebida forte que ficavam nas mesas da sala ou da cozinha, aquela sensação de estar embriagado era muito boa, além é claro, do fato de estar agindo escondido, como já compartilhei com o leitor, aquilo fascinava-me demais. Eu detestava o gosto daquelas bebidas. Mas precisava fazer aquilo, eu tinha que beber.

Certa vez, reuni meus colegas da rua e comecei a desenhar no asfalto com "pemba" (giz branco) que havia apanhado "emprestado" de um "centro", um grande pentagrama; assim que acabei aquele desenho convidei-os para brincarmos de "lutar kung-fu" no centro daquele desenho. Nem um dos meus amigos aceitavam, por que um deles tinha comentado que aquilo era coisa de "macumba", eu ficava extremamente irritado com a recusa, chamando-os de "idiotas, covardes, medrosos!" Eles acabavam indo embora, deixando-me sozinho. Havia em mim um sentimento de ser o mais forte, o mais corajoso, pelo que eu era o único que não tinha medo do mundo espiritual, havia em mim um senso de poder tremendo.

Praticava a "brincadeira do copo", a primeira vez em que experimentei tal "brincadeira" foi na casa da minha prima, onde reuníamos algumas pessoas, marcávamos os pedaços de papel com o alfabeto, juntávamos as nossas mãos no copo, e começávamos a fazer as invocações. Mas aquilo nunca era sério, pois sempre havia entre nós alguém que debochava daquilo que para mim era tão real.

Mas não me dei por vencido, já em casa passei a invocar os espíritos através do copo, eu mesmo, e quando pude perceber que o copo se arrastava sozinho, fiquei com muito medo. Mas aquilo se tornou normal, sendo com o tempo uma coisa corriqueira.

Na escola sempre que tínhamos aula vaga, eu instigava algumas pessoas da minha confiança para fazermos consultas com o copo. A maioria não "topava".

Algum tempo depois, uma garota traria do exterior, uma verdadeira "tábua de Ouijá", um método de consulta mais trabalhado que o copo, puramente satânico. Eu adorava invocar através da tábua, sempre tínhamos contatos bastante concretos.

Matriculei-me numa academia de Kung-fu, aquilo causou em mim uma grande prepotência, pois eu via as matérias de jornal da época em que meu pai foi campeão paulista, e desejava ser como ele; sempre acendíamos incensos e reverenciávamos os deuses, antes dos treinamentos.

O que mais me fascinava era aquela adoração aos ancestrais shao-lins e a possibilidade de expandir a mente e a consciência a ponto de se tornarem com o corpo, uma só coisa. 

Sempre que eu observava as imagens dos deuses shao-lins, eu notava que eles saiam das imagens e sobrevoavam todo o salão, passavam por mim e retornavam para as imagens. Hoje sei o que era, mas naquela altura não entendia nada.

Enquanto todos se preocupavam em treinar para passar nas provas, nos testes e mudar de fase, eu procurava o mestre para saber mais acerca daqueles deuses; ele achava bastante estranho, observar alguém daquela idade se interessar tanto por aqueles assuntos.

Através da turma mais velha, conheci e passei a usar drogas - maconha, cocaína, anfetaminas, chás de lírio e cogumelos, etc; eu tinha um certo medo da novidade, mas como aquilo parecia ser o único meio de permanecer naquela turma bastante respeitada, eu fui em frente com as drogas; os alucinógenos atraíam-me muito, foram várias as grandes viagens que tive, até que me arranjaram um micro ponto colorido, chamado de ácido lisérgico, dizendo-me que era para ser colocado debaixo da língua, e ao fazer aquilo para minha surpresa e espanto, tive uma das mais terríveis viagens da minha vida até então; quando os efeitos daquele micro ponto se iniciaram, entrei em êxtase, minha visão foi aberta e passei a ter visões reais dos demônios que me acompanhavam; aquilo era terrível e ao mesmo tempo fascinante.

Com medo de morrer, pois o meu coração começava a disparar, fiz a opção do álcool (aliás, não tinha muitas opções até então).

Foram várias as "overdoses" que experimentei.

Numa certa noite, aconteceu uma grande confusão em casa, resultante de uma briga infantil entre eu, meu irmão e meu padrasto, não havia nenhum motivo para tanto, mas eu fiquei completamente louco, parecia que tudo aquilo que havia sofrido calado durante a minha vida até aquele ponto queria sair, eu urrava de ódio, eu quebrava janelas a murros, eu dava cabeçadas na parede, culminando por sair de casa correndo e gritando: "Fénelon, venha me buscar, já estou pronto, nada mais me resta, eu não presto!" Só consegui ser detido pelo meu tio, que procurava me acalmar.

A casa estava numa confusão só, não haviam culpados, todos estavam carregando muitas mágoas calados por muito tempo, aquilo uma hora ou outra iria acontecer, era questão de tempo.

Meu padrasto e minha mãe acabaram por se separar, não devido aquela situação, mas por outros motivos que estavam se acumulando. Aquilo por assim dizer, tinha sido o botão de ignição.

Eu lamentei pelo meu irmão, que agora estava sem o convívio do pai, por minha causa, essa não era a verdade, mas era bom ter aquela sensação de culpado. Pois assim eu poderia efetivamente vivenciar o estilo de vida que os meus heróis tinham, antes de suicidarem-se, ou de perderem suas vidas por acidentes e overdoses, como James Dean, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Ian Curtis, Sid Vicious, e por aí afora.

Pessoas como essas, me atraiam muito, em especial os "serial killers" e satanistas, como no caso da família Manson.

Pouco tempo depois, destes tumultuados acontecimentos, recebemos a notícia de que meu avô, o pai do meu pai, havia falecido. Eu não expressei nenhum sentimento, mas a minha mãe chorava desesperadamente. E tal e qual, no caso da minha avó e do meu pai, não fomos ao funeral. As colunas da minha descendência, estavam agora todas mortas. Só restava um remanescente, ou seja, eu. Que sem saber já estava trilhando o caminho da completa destruição.

Todas as pessoas que conheceram o meu pai, assustavam-se comigo, pois havia uma tremenda semelhança física entre eu e ele, aliás, penso que semelhança é pouco. A família do meu pai, assustava-se extremamente quando me via, imagino que eles pensavam: "Nããããooo! Ele voltou!!! Salve-se quem puder! Primeiro mulheres e crianças...!!!" Podia se dizer que aquilo era o set de filmagens de: Carvalho - O RETORNO!

Mas as comparações da grande maioria era com relação a vida destrutiva que meu pai teve, as pessoas pensavam e até falavam: "Será que o fim dele não será como o do pai?"

As vezes tais pessoas não tinham tomado a dose diária de "semancol", e deixavam-me ouvir seus comentários, aquilo me deixava revoltado, afinal falavam do meu pai.

Nota: Quero deixar bem claro para o leitor, que a minha vida passada, nada teve de projeção subconsciente da vida do meu pai, visto que, nunca tive a oportunidade de saber como o meu pai vivia, como ele agia, como ele falava para poder imitá-lo, eu não tinha tais subsídios; minha mãe nunca permitiu que eu soubesse dessas coisas, com medo exatamente disso, de que no futuro eu projetasse ou imitasse o seu estilo de vida.

Desta maneira, o leitor observará um caso típico de possessão demoníaco hereditário em manifestação.

Nesse tempo, entrei para a "Seara Bendita", segunda maior Instituição de Ensino e Treinamento Espírita Kardecista do Estado de São Paulo, ficando atrás somente da FEESP - Federação Espírita do Estado de São Paulo.

Lá, comecei a dedicar-me nas reuniões, aprofundar-me na doutrina; não perdia nenhuma reunião, afinal, tínhamos como amiga íntima, uma das principais dirigentes da instituição já citada, e quando minha mãe não podia ir, era com ela que eu ia.

Passei a "devorar" livros e mais livros, estudava e praticava. A minha sede de conhecimento já era notória a todos aqueles instrutores. Muitas foram as vezes em que eu me dirigia a casa daquela instrutora em questão, para enchê-la de perguntas, questões e passávamos horas interruptas de ardentes debates.

Havia um espírito, que se valia de médiuns psicógrafos para se expressar, autor de muitos livros, chamado Luís Sérgio (um demônio), que na época, identificava-se muito comigo e vice-versa, de maneira que consumi todos os seus livros, comunicando-me diariamente com ele.

Nota: Luis Sérgio é considerado pela Cúpula do Espiritismo em São Paulo como um líder territorial, exercendo sua área de atuação nos jovens especificamente. Daí a explicação da minha sobrenatural atração por este demônio, a juventude é a sua esfera de atuação.

Numa certa quarta-feira, fomos para a "Seara Bendita", com o propósito de recebermos alguma mensagem psicografada do meu pai; logo que lá chegamos, caminhamos rumo a sala de psicografia, haviam centenas de pessoas aguardando uma chance para lá estar, mas nós conhecíamos as "pessoas certas" e pronto, estávamos confortavelmente na tal reunião.

Eu achava "muito chato" aquele ambiente de velório que antecedia aquelas reuniões, nunca tive muita paciência, com aquele povo falando baixinho, andando em "câmera lenta", eu queria era ação, eu queria ver e experimentar coisas concretas, e só poderia obter aquilo com os médiuns de transporte e de aparições, aquilo sim me atraia, eles eram aquelas pessoas que liberam ectoplasma, termo usado pela parapsicologia para designar a matéria etérea, bastante sutil, mas palpável que é expelida pelos orifícios do corpo do médium em transe, como boca, ouvidos, nariz e por aí afora, de tal maneira que os espíritos podem se materializar, usando a tal matéria.

Muito bem, quando esperava receber uma mensagem do meu falecido pai, ouvi meu nome sendo chamado para ir a frente; e ao aproximar-me da mesa dos médiuns psicógrafos, leram a mensagem e disseram com orgulho um tanto exacerbado, o nome do mensageiro: Luís Sérgio.

Fiquei muito surpreso e ao mesmo tempo orgulhoso, quando ouvi dos médiuns:

_"Tu és amado pela espiritualidade maior jovem!"

No entanto fiquei frustrado, por não ter recebido nada do meu pai, será que nem morto ele tinha tempo para mim?

Jeremias 32.29 (Bíblia Viva)
29. Os soldados caldeus (simboliza demônios) que estão cercando os muros, entrarão na cidade, queimarão todas as casas em cujos terraços o povo queimou incenso a Baal (Um principado) e derramou vinho como oferta aos outros deuses. FOI EXATAMENTE ISTO QUE PROVOCOU A MINHA IRA! (DISSE DEUS)

Deuteronômio 18.10-12
10. NÃO SE ACHARÁ ENTRE TI QUEM FAÇA PASSAR PELO FOGO O SEU FILHO OU A SUA FILHA, nem ADIVINHADOR, nem PROGNOSTICADOR, nem AGOUREIRO, nem FEITICEIRO;
11. Nem ENCANTADOR, nem NECROMANTE, nem MÁGICO, nem quem CONSULTE OS MORTOS;
12. Pois todo aquele que faz tal cousa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR, teu Deus, os lança de diante de ti.

Números 23.19
19. Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?

Jeremias 1.12
9. Disse-me o SENHOR: Viste bem, porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.

Uma semana depois, as enfermidades voltaram e parei numa cama, eu estava à morte. Minha mãe em total desespero foi aconselhada a visitar sete templos de religiões diferentes, fui orado, benzido, aspergido, defumado, frito e cozido. Nada dava resultado, pelo contrário eu piorava.

Então conseguimos uma consulta com um médico espírita, da mesma falange da do Dr. Fritz. Ele disse que o caso era grave, mas não sabia muito a respeito do assunto, no entanto, prometeu que iria se reunir com os "mentores" na eteriedade para dar o diagnóstico.

Ora, no dia seguinte disseram a minha mãe, de uma maneira fria e calculista que eu estava com AIDS; puxa, meu tio que tinha nos levado e minha mãe, sofreram um choque com a notícia.

Depois desse dia, disseram ter cometido um terrível engano, disseram que o meu problema era apenas uma pneumonia dupla. Imediatamente "operaram-me" e houve uma certa melhora. Mas depois de algum tempo (não muito longo), as mesmas doenças voltaram e mais intensas.

Nota Importante: Deixe-me dizer algo acerca das supostas curas espirituais. Os demônios têm uma sede enorme de atrair e escravizar um maior número de pessoas possível, sendo assim, um ou mais demônios entram numa pessoa em questão, e causam nela doença, como foi no meu caso. O tempo passa, e este mesmo demônio acaba intuindo na mente da pessoa, ou através de circunstâncias arranjadas, que tal pessoa deve visitar um médico espírita. Ao chegar no Centro, ou na Clínica Espírita, o demônio que estava oprimindo a pessoa com doenças entra num "ACORDO" com o demônio que escraviza o médium, e se afasta momentaneamente, efetivando assim uma aparente cura.

Repare: Só fui definitivamente curado, quando após a minha conversão, na minha igreja, Deus deu-me através da Cura Divina, um pulmão novo em folha - saiba de uma coisa querido leitor no Céu há um DEPARTAMENTO DE ÓRGÃOS SOBRESSALENTES.

Diante da confusão desses "espíritos superiores", como também dos médiuns, revoltei-me grandemente com a mediocridade da Doutrina Kardecista, com os seus carmas, expiações, boas obras, caridades. Para mim eles eram cópias mal feitas dos crentes e eu odiava os crentes.

Abandonei por assim dizer, a doutrina filosófica do kardecismo, mas de maneira nenhuma poderia negligenciar e desprezar, os conhecimentos obtidos nos estudos práticos e científicos, acerca dos fenômenos paranormais.

Por outro lado, essa situação serviu para que algo fosse resolvido, o meu padrasto que já fazia muito tempo que não me via, devido à notícia da gravidade do problema em que eu me encontrava, veio me visitar, ele chorou muito com a minha mãe, desculpando-se por qualquer coisa que tivesse feito; a atmosfera era de que eu iria morrer. Mas enfim, nós nos perdoamos de todo o nosso coração, terminando por termos o nosso relacionamento de amizade restaurado. O meu irmão ficou muito satisfeito com aquilo.

Nota: Após a minha desistência ter sido sentida, alguns espíritas disseram-me que eu estava sendo muito radical ao desprezar a doutrina por causa de uma "simples decepção", diziam eles que aquilo poderia ter sido obra de algum "espírito zombeteiro" - chavão usado pelos espíritas para designar espíritos brincalhões e/ou atrasados - (demônios, digo eu).

Ora, se partirmos da premissa de que eu tivera sido alvo dos tais espíritos, porque Kardec não o foi também?

Penso ser bastante conveniente explicar aqui o motivo que me levou na época, a desistir do Espiritismo kardecista; além é claro, de considerar, a louca confusão dos "proeminentes médicos desencarnados".

Analisemos como tudo começou:

Allan Kardec - Léon Hippolyte Denizard Rivail, nasceu em Lyon a 3 de outubro de 1804 e morreu em Paris a 31 de março de 1869. Um homem extremamente culto; era poliglota, professor de química, matemática, astronomia, física, fisiologia, retórica, anatomia comparada e francês, pertenceu a mais de uma dezena de sociedades culturais da França e escreveu 18 obras de pedagogia, sendo discípulo de Pestalozzi.

Nas suas investigações acabou entrando em contato com alguns praticantes do espiritismo e sendo contaminado por ele, crédulo e ingênuo, nesse campo, logo lhe apresentaram um "espírito familiar" que seria o seu "guia" (método usado ainda hoje para iniciar os ocultistas satânicos). Tal espírito fez-lhe saber que o conhecera em existência anterior, nas Galias, com o nome de Allan Kardec, que teria sido um poeta Celta.

Em 1855 foi levado por seu amigo Fortier, um magnetizador discípulo do Dr. Franz Anton Mesmer, a examinar o fenômeno das mesas girantes.

Continuação do fenômeno, que teve início na cidade de Hydesville - NYC, no ano de 1848, com as irmãs Fox - Margarette - "Maggie" de 13 anos, e Kate de 11 anos. Segundo elas, ouviram pancadas compassadas na casa onde moravam e responderam com pancadas e estalidos de dedos, e ouvindo as respostas, criaram então uma espécie de código de comunicação com o "espírito" que teria pertencido a Charles Rosna, antigo morador daquela casa, assassinado com a idade de 31 anos.

As irmãs Fox ficaram famosas e passaram a promover espetáculos de efeitos físicos, os quais, segundo elas, eram promovidos pelos espíritos.

No entanto, não passava de uma farsa articulada por elas, e tanto Katie como Magie se retrataram diante da sociedade.

Magie sempre tivera uma vida desgraçada. Enquanto ganhava dinheiro e fama com as representações, cada vez mais se lançava no vício da bebida. Chegou a ser processada pelos maus tratos aos filhos. O jornal New York Herald de 24 de setembro de 1888 publicou na íntegra a sua retratação, e, um pouco depois, 10 de outubro do mesmo ano, a de sua irmã.

A experiência das mesas girantes entusiasmava toda a Europa; e após verificarem que havia algo mais que charlatanismo e ilusão no fenômeno, passaram a estudá-lo mais a fundo. Agora repare pelas palavras do próprio Kardec o início da codificação:

"Recordemos inicialmente, em breves palavras, A SÉRIE PROGRESSIVA DE FENÔMENOS QUE DERAM ORIGEM A ESTA DOUTRINA. O primeiro fato observado foi o movimento de objetos: designados vulgarmente com os nomes de mesas girantes. (...) o movimento não era sempre circular (...) Se o movimento de que nos ocupamos se restringisse ao movimento de objetos, teriam permanecido no domínio das Ciências Físicas; mas não aconteceu assim; (...) As primeiras manifestações inteligentes verificaram-se por meio de mesas que se moviam e davam determinados golpes, batendo um pé, e assim respondiam, segundo o que se havia convencionado, por "sim" ou por "não" à questão proposta. (...) Esse meio de correspondência era demorado e incômodo. (...) Foi um dos SERES INVISÍVEIS QUEM ACONSELHOU a adaptar-se um lápis a uma cesta ou a outro objeto. A cesta, posta sobre uma folha de papel, é movimentada pela mesma potência oculta que faz girar as mesas; mas em lugar de um simples movimento regular, o lápis escreve por si mesmo, formando palavras, frases, discursos inteiros de muitas páginas, tratando das mais altas questões de Filosofia, de Moral, de Metafísica, de Psicologia, etc., e isso com tanta rapidez como se escrevesse à mão."

"ESSE CONSELHO foi dado simultaneamente na América, na França e em diversos países. Eis os termos em que foi dado em Paris, a 10 de julho de 1853, a um dos mais fervorosos adeptos da doutrina, que há muitos anos, desde 1849, se ocupava com a evocação dos espíritos: Vá buscar no quarto ao lado a cestinha; prenda nela um lápis, coloque-a sobre o papel e ponha-lhe os dedos na borda - (O mesmo procedimento realizado nas consultas com o Copo e com a Tábua de Ouijá) - Feito isso, depois de alguns instantes a cesta se pôs em movimento e o lápis escreveu legivelmente esta frase: Isto que eu vos disse, proíbo-vos expressamente de o dizer a alguém; da primeira vez que escrever, escreverei melhor." - Kardec, Allan - Livro dos Espíritos, pgs. 19-21.

A partir daí Kardec começou a Codificar a Doutrina Espírita, fazendo perguntas que eram respondidas pelos espíritos, através da psicografia indireta - (A doutrina se fundamenta em 1.019 respostas, às perguntas de Kardec) - As médiuns Caroline Baudin, de 16 anos e, Julie Baudin de 14, colocavam as mãos nas bordas da cesta e o lápis escrevia numa lousa. Kardec disse muito tempo depois: "Foi dessa maneira que mais 10 médiuns prestaram concurso a esse trabalho".

Agora, observe comigo: O critério dado pelos próprios espíritos à Kardec no que se refere a qualidade dos espíritos e das respostas é este: "1º) Não há outro critério para se discernir os Espíritos senão o bom senso; 2º) Julgamos os espíritos pela sua linguagem e as suas ações (...)". Kardec, Allan - Livro dos Médiuns, pg 299, questão 267.

Ou seja, se o estilo e a moral da linguagem é que são determinantes para se provar os espíritos, segundo eles mesmos; então podemos verificar a fragilidade de toda a doutrina kardecista; pois segundo o diagnóstico deles, fui eu vítima de "espíritos zombeteiros", mas veja, a linguagem daqueles "espíritos médicos", era de uma moral extrema, e o estilo então, nem se fala. Daí concluir - e o próprio Kardec abre precedentes para essa conclusão - que: o Espiritismo codificado por Kardec, é frágil e indigno de confiança.

Este foi o meu parecer na época.

Mas observe leitor, se eu tive essa conclusão na época em que eu ainda não conhecia a Jesus Cristo, imagine agora. Saiba que há uma infinidade de fundamentos kardecistas que não conseguem permanecer de pé, diante da Palavra de Deus. E isso já é assunto para um outro livro, se Deus permitir.

A despeito de todos os problemas de saúde, eu bebia muito e preocupado resolvi fazer o mesmo que um conhecido cantor e sua mulher fizeram para se verem livres do alcoolismo, tranquei-me em casa por algum tempo, mas não deu muito certo, depois de uma semana, senti que se ingerisse desodorante, eu poderia obter o mesmo resultado, ainda que tal atitude pudesse anteceder a morte; dito e feito, bebi todos os desodorantes, perfumes e álcool de limpeza que haviam em casa.

No que se refere a beber desodorantes, álcool e perfumes, é óbvio que no começo eu tinha muito medo, mas aquela angustia, aquela sede sobrenatural fazia-me ultrapassar qualquer medo. E com o tempo aquilo tornou-se para mim tão normal, quanto pedir um trago de conhaque no bar.

Após a minha desistência dos preceitos moralistas e filosóficos kardecistas, tornei-me defensor dos estudos da Mentepsicose Platônica, como também dos temas  abordados pelo Dr. Franz Anton Mesmer.

Logo a seguir, passei a ser uma espécie de discípulo do prof. Joseph Banks Rhine, da Duke University, começando então a estudar a ESP - Extra Sensorial Perception (Percepção Extra Sensorial) e os demais temas da Parapsicologia, como o psigama (fenômenos sensitivos) e o psikapa (fenômenos físicos), aprofundando-me cada vez mais nos estudos dos poderes mentais, adquirindo então, de maneira efetiva, a clarividência, a clariaudiência e a telepatia, após exaustivos treinamentos através das cartas "ZENER"; tais cartas, assim como outros mecanismos foram desenvolvidos pelo prof. Rhine, para treinar, medir e comprovar os níveis paranormais de uma pessoa em questão.

Procurava imitar de perto o renomado parapsicólogo padre Oscar Quevedo, a sua destreza em denunciar e provar as fraudes e os charlatanismos paranormais e espíritas era fenomenal.

Tive o meu primeiro contato com o "Caminho da Mão Esquerda", através dos escritos do "Papa Preto" - Anton Szandor Lavey como também do inglês Aleister Crowley, que se auto-intitulava "a Besta", ambos "colunas satânicas".

Depois dei início aos estudos e práticas da Alquimia Interior, da Manipulação dos Fluidos Vitais e das "Magias".

Através do monge tibetano Lobsang Rhampa, um simpatizante de Helena Petrovna Blavastky (fundadora da Sociedade Teosófica e precursora da Nova Era), adquiri a Bicorporeidade, habilidade de sair do corpo; praticava todas as noites até chegar ao ponto ideal, ou seja, projetar-me em qualquer lugar a qualquer hora.

A primeira vez em que efetivamente sai do corpo, fiquei apavorado com a sensação de não conseguir mais voltar, até que conheci uma experiente ocultista, também discípula de Helena, que ensinou-me a vencer o medo das bicorporações e projeções.

Continue





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