Um Convite Satânico


Agora num bairro novo, adquiri um novo "visual", começando um novo estilo de vida. Freqüentava bares da moda na região dos "Jardins" (bairro classe alta paulistano), conhecia muitos intelectuais, músicos, filósofos e para aliviar minha mente de tanta informação ocultista, encontrava-me com estes pensadores, para discutirmos Aldous Huxley, Immanuel Kant, Hegel, Soren Kierkgaard, e também Herman Hesse, Howard Phillips Lovecraft, Alan Ginsberg e Jack Kerouac. E é óbvio, regado com muito e muito álcool.

Era convidado para ir a festas onde as drogas eram servidas em bandejas. Eu me sentia bastante importante por tais pessoas, editores, fotógrafos, escritores me convidarem para ir a tais festas. Eles convidavam-me, porque eu apreciava o que eles apreciavam, mesmo sendo tão jovem. Eu era por assim dizer, um jovem potencial.

Eram festas "recheadas" de mulheres lindíssimas, verdadeiras "top-models"; eu estranhava o fato de que elas não esperavam serem paqueradas, elas chegavam, se insinuavam e convidavam a passar a noite com elas.

No entanto o foco da minha visão e sobrenatural atenção, estavam voltados para algumas pessoas que sempre estavam presentes nessas festas - eram pessoas que delas emanavam um poder tremendo, sempre vestidas de preto. Com um estilo de ser, que naquela altura eu desejava ardentemente. Eu as fitava sem piscar os olhos. Eu desejava aquilo que eles tinham.

Numa destas festas, enquanto não tirava os olhos das tais pessoas de preto, fui chamado por um casal que estava no sofá de uma conhecida boate em São Paulo - era uma festa fechada; ora, fiquei um tanto constrangido, pois afinal eles perceberam o quanto eu os olhava.

Cumprimentaram-me dizendo: "_ Hail the Self!", percebi então que eram americanos, chamaram uma pessoa para traduzir, mas eu disse que não precisava, pois podia compreendê-los. Perguntaram-me qual era o meu nome cabalístico e lhes disse que era Lord Morton, conversamos sobre algumas coisas banais, até que me disseram: "_Outros de nós virão até você, para te iniciar na Instrução! Você não vai mais admirar, mas serás admirado!"

Eu achava estranho, muitas pessoas iam nessas festas, ou para conseguir uma noite de sexo, ou para se esbaldar em drogas ou álcool; no entanto este casal não bebia e nem se drogava. Mas tinham um forte "imã" que atraía a todos, ao redor deles havia uma atmosfera de poder que abarcava-os, isso podia ser constatado ao observar a admiração hipnótica que todos tinham por eles.

Nota Importante: Satanás fez uma cena e armou o palco pra que eu fosse aliciado, eles me ofereceram o que mais eu desejava e queria: poder visível e admiração.

Estudava nessa época dentro de um Shopping Center, e, se durante o ano letivo assisti um mês de aula, foi muito.

Comecei a atrair lindas garotas como também mulheres bem mais velhas e ricas (eu mesmo não entendia como isso acontecia), muitos homossexuais começaram a ser atraídos a mim de igual modo e eu detestava aquilo.

Numa certa ocasião, eu estava num "café" na Avenida Paulista, saboreando evidentemente um café expresso, quando fui abordado pelas costas por uma mulher elegante, que falava com sotaque americano, aquilo me assustou muito; ela me dizia:
_"Ora, ora, Hail the Self! Vejo que estás a caminho da Instrução!"

Nota: "Hail the Self", significa uma saudação ao próprio "Eu", comumente usado por todos os satanistas, assim como a saudação: "Hail the Satan", ou ainda, "Abençoado seja o Eu Supremo". Além de muitas outras que diferem de grotto pra grotto.

Não entendia nada daquilo, mas aquela saudação não me era estranha - não lembrava-me daquele casal na boate - no entanto, percebi que os espíritos que me acompanhavam ficaram agitados e atentos. Imediatamente fiquei absorvido pelo carisma e conhecimento que ela demonstrava ter.

Ela continuou:
_"Olha, não tenha medo, quando aqui entrei percebi que havia alguém com sede do Conhecimento Pleno, te olhei e meus mestres o confirmaram. Atente para o que vou dizer-te, não se anestesie tanto, pois em nosso meio aquele que vacila é destruído, muitos hão de querer aquilo que tu terás, muito te será dado. Se você desejar anotarei os meus endereços."

Olhei para o papel, ela havia anotado endereços do Rio, de São Paulo e de San Franscisco - Califórnia. Perguntei qual era a sua religião e ela me disse:
_"Não tenho religião, sou apenas discípula de Alice Bailey!"

Nota: Alice Bailey, (1880-1949), é discípula de Helena Petrovna Blavatsky, e a terceira presidenta da Sociedade Teosófica; uma inglesa que emigrou para os USA, estabeleceu o alicerce para o movimento NEW AGE e é reconhecida como sua suma sacerdotisa. Como instruída, recebia mensagens de um mestre da sabedoria, o tibetano Djawal Khul.
Deu início ao centro de planejamento oculto do movimento Nova Era, hoje com o nome de: "LUCIS TRUST", originalmente fundado com o nome "LUCIFER PUBLISHING COMPANY" (Editora Lúcifer), na região de L.A. (USA). Este centro dispõe de muitos meios para levar adiante a construção da Nova Era mundial. Há muitos subgrupos subsidiados por eles, os dois mais expressivos são: a "WORLD GOODWILL" (Boa Vontade Mundial) e a "ARCENE SCHOOL" (Escola Arcano) a qual mantém cursos secretos por correspondência, para discípulos e líderes da Nova Era. (vide Capítulo 8)

Depois de alguns dias, minha mãe trabalhava numa sala ao lado de um pequeno "santuário" candombeclista do meu tio, quando eu lá entrei, já um tanto alcoolizado, pedi algum dinheiro para poder sair. Discutimos muito, pois ela não me deixava sair e eu insistia.

Então, ela já bastante irritada foi subitamente "tomada" por um espírito que ameaçava-me. Olhei para o espírito através dela, e cheio de prepotência e ousadia, eu sarcasticamente disse:
_"Você não pode comigo seu espírito zombeteiro de meia-tigela, o poder que está em mim é superior ao seu!"

Pelo que ele respondeu-me:
_"É verdade, com você eu não posso, mas se você não desistir eu posso matá-la!"

Imediatamente os tecidos que estavam por sobre as máquinas começaram a flutuar e percebi que aquele demônio usando as mãos da minha mãe tinha apanhado uma das tesouras e colocado na região do seu ventre, pronto para matá-la.
Temendo pela vida da minha mãe, resolvi desistir.

Ainda nesse ano tentei o suicídio várias vezes apanhando o revólver do meu tio que era da polícia. Mas (Graças a Deus), ou a arma falhava pois estava travada, ou não haviam balas no "pente".

Sabe, eu não queria morrer, eu era muito covarde para suicidar-me, mas a angústia que sentia e aquelas vozes na minha cabeça, imaginava que o único jeito para livrar-me daquilo tudo seria estourando-a. E com relação àquelas vozes, elas só cessavam quando eu estava embriagado.

Esse mesmo tio policial (aquele que foi iniciado pelo meu pai) haveria de retirar-me das Delegacias muitas vezes, por desordem e violência decorridos do alcoolismo e dos demônios.

Certo dia estava por fazer um serviço que consistia em entregar alguns documentos para a gerência do Hotel Hilton, em São Paulo, após o trabalho realizado e já embriagado comecei a ameaçar alguns americanos que estavam no lobby, sem saber ao certo, o porque fazia aquilo, mas os espíritos haviam-me tomado; mais tarde soube que estavam ali para uma conferência WICCAN (Magia Branca). Fui detido pelos agentes de segurança do evento e, entregue a polícia. Na Delegacia pela primeira vez falaram-me de Jesus. Um policial disse-me assim:

_"Varão, você precisa de Jesus, Ele pode e quer mudar a tua vida! Você precisa nascer de novo!"

Eu odiava ouvir aquele nome, sendo assim amaldiçoei aquele gentil policial dizendo a ele, que se Jesus tivesse algum poder não teria morrido na cruz. Eu dizia:

_"Os mentores me tirarão daqui, não este teu deus medíocre!"

O que me surpreendia era o fato dele só me abençoar. Minha mãe e minha advogada (também experiente ocultista) haviam chegado e fui liberado com uma condição dada pelo Delegado, que eu procurasse ajuda profissional.

Porém, uma coisa ficou na minha cabeça, aquele homem tinha falado em nascer de novo. Eu sonhava em ter uma oportunidade de recomeçar do "zero"; de enfim, nascer de novo. Mas pode um homem nascer de novo? Pensei eu.

Diante da falta desta resposta, desvencilhei aqueles pensamentos malucos, que aquele "crentinho" tinha me feito pensar. Aquilo só podia ter sido uma tentativa de: "início de lavagem cerebral".

Passei a frequentar um grupo de apoio anti-drogas do Denarc (Departamento de Narcóticos da Polícia) e a fazer tratamento no hospital São Paulo com o conceituado Dr. Dartiu Xavier, me submetendo também a experiência do Dr. Alfredo Toscano, ambos especialistas em Dependência Química.

Ainda nesse tempo fui procurado por uma jornalista da revista "Capricho" para dar uma entrevista para uma matéria concernente a dependência química; menti o que pude, o assunto que eu queria falar era sobre o oculitsmo. A arrogância e prepotência eram a minha marca registrada, mesmo em meio à situação em que me encontrava.

Minha mãe, parecia ser a minha "agente da condicional", não me deixava sair sozinho em hipótese alguma. Eu detestava aquilo, mas sempre encontrava um jeito para dribla-la e sair as ruas de novo. Ela só tinha paz, por assim dizer, quando eu ficava doente, não podendo sair da cama. Mas, como uma mãe pode ter paz com o seu filho doente numa cama?

Ela já sofria e revivia através de mim, o terrível passado que tivera com o meu pai. Quando a minha mãe não tinha que correr comigo para os hospitais, por causa de alguma pneumonia dupla, alguma febre que não baixava, ela tinha que acionar alguma advogada para tirar-me da delegacia de algum bairro qualquer, isso quando, não ligavam para ela de algum hospital dizendo que eu estava na UTI, em coma.

Ainda nesse ano, duas jovens psicólogas, que defendiam tese de parapsicologia quiseram conhecer-me para fazermos "regressão", eu não queria pois estava muito doente, porém eu vi uma grande oportunidade para divertir-me às custas daquelas jovens doutoras.

Prepararam o equipamento de psicometria, gravador, lâmpadas coloridas, fitas cassetes, e outros equipamentos para fazerem leituras e medições parapsicológicas. E começaram com aquela "ladainha" de visualizar cores, ouvindo música "new age" para entrar em estado mental alfa; quando então, comecei a gemer e gemer, dizendo que estava no ventre da minha mãe, e por isso estava sentindo-me muito quente - eu estava era com febre - depois eu dizia que estava na Inquisição, sentindo as chamas da fogueira que me cercavam, depois eu dizia que era um sacerdote Druida, queimando os oponentes com combustão espontânea, e blá, blá, blá. Eu podia ouvir que elas estavam tremendamente agitadas e corriam para trocar as cassetes gravadas, por novas. (Eu morria de rir por dentro).

Já não suportando mais aquela palhaçada, pois o meu estado febril aumentava, resolvi dar vazão a um dos "mestres", passando a falar numa língua desconhecida para elas e a descrever pela clarividência a mente de cada uma daquelas jovens doutoras; depois disse para pararem de brincar com os poderes ocultos porque existia um preço para isso e não era através de manuais.

Logo a seguir interpelaram minha mãe sobre a possibilidade de uma nova experiência, pois aquela tivera sido muito proveitosa e interessante, alcançando por assim dizer, pontos altos nas "medições". Mas não aceitei. Elas não entenderam nada.

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