O Primeiro Pacto


Algumas semanas depois fui impelido para sair do corpo (projetar-me), eu sempre obedecia a esses ímpetos, e de súbito estava numa praia deserta (no mundo espiritual não há distâncias), onde haviam pessoas de túnicas pretas ao redor do símbolo de Baphomet (Pentagrama invertido). O idioma que falavam não era o português, mas eu podia compreender claramente o que diziam, vestiram-me uma túnica preta e deram-me uma escritura, dizendo-me que eu receberia tudo aquilo que sempre havia sonhado, ou seja, atenção, amor e poder, mas que primeiro deveria assinar aquela escritura com o meu próprio sangue.

Já de volta ao corpo, senti muito medo, pois não queria retalhar-me, aliás não tinha coragem para me cortar, então fui dar uma volta para beber e assim arranjar a "coragem" necessária, ao regressar fui direto ao toalete, peguei uma navalha e cortei profundamente o braço esquerdo; parte do sangue que saia sem controle eu ofereci como minha oferta, declarando:
_"Shemhamforash! Hail the Satan!"

A outra parte do sangue que continuava a sair, eu bebi; quando dei por mim, e vi o que estava fazendo, comecei a passar mal e a gritar (pois, tivera perdido muito sangue). Quando então arrombaram a porta e socorreram-me.

Nota: mais tarde tomei parte de diferentes rituais, em diferentes grottos, mas penso ser irrelevante a descrição deles aqui, sendo assim, não o farei. Permaneci numa ordem satânica até o fim, até minha decadência ser perpetrada por minhas desobediências aos comandos de satanás.

A partir daí comecei a ser visitado por "novos" mestres mais poderosos e passei a ter sede de sangue, tornando-me mais tarde um "flebotomista", ou seja, uma pessoa que pratica a sangria em si mesmo, ou em outrem. Por diversas vezes, quando sentia essa tal sede, retalhava-me e bebia o meu próprio sangue. Sempre que olhava para uma jovem bonita vinha sobre mim uma sede compulsiva de beber o seu sangue.

Repare: o sangue para Satanás é um instrumento poderoso para suas intenções. Pois o princípio vital se aglomera no sangue, seja humano, seja animal. Quando eu bebia sangue próprio, ou de outra pessoa, na verdade eu estava ingerindo sua própria vida, o que fazia-me adquirir por assim dizer, mais fluido ectoplásmico, habilitando-me portanto a desempenhar um papel mais efetivo na arte de manipular o mundo espiritual. E no satanismo somente o sangue humano é aceito. Ele funcionaria como a moeda espiritual.

Os demônios sem exceção têm sede compulsiva de princípios vitais, pois é somente através deles que suas intenções são efetivadas. Por isso eu adquiria mais demônios à medida em que bebia mais sangue.

Gênesis 9.4-6
4. Carne, porém, com sua vida, isto é, COM SEU SANGUE, NÃO COMEREIS.
5. Certamente, requererei o vosso sangue, O SANGUE DA VOSSA VIDA; de todo o animal requererei, como também da mão do homem, sim, da mão do próximo de cada um requererei a vida do homem.
6. Se alguém DERRAMAR O SANGUE DO HOMEM, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem.

Levíticos 17.10-12
10. Qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que peregrina entre vós que COMER ALGUM SANGUE, contra ele me voltarei e o eliminarei do seu povo.
11. PORQUE A VIDA DA CARNE ESTÁ NO SANGUE. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida.
12. Portanto, tenho dito aos filhos de Israel: nenhuma alma de entre vós comerá sangue, nem o estrangeiro que peregrina entre vós o comerá.

Saiba meus amados, as histórias de vampiros andando por aí, não são frutos de uma mente criativa, como a de Bram Stocker (da obra: Drácula); elas são reais, não tanto aqui no Brasil, mas nos USA e partes da Europa é corriqueiro denúncias de "vampirismo" e comportamentos vampirescos.

Os tais vampiros, são, nada mais que, satanistas que não conseguem controlar a sede do sangue alheio. Tal e qual a compulsão pelo sexo era difícil refrear, da mesma maneira era realmente difícil controlar esta sede por sangue.

A atitude de ingerir sangue era na maioria das vezes algo solene, era a busca de uma maior intimidade, consigo mesmo, ou com alguma garota que também seguisse a mesma linha de pensamento, ou seja, que fosse uma ocultista. E se não fosse, ficaria sendo, a partir daquela experiência.

Observe o depoimento de uma garota: "_Beber o sangue de alguém é mais prazeroso que o sexo". Agora repare neste outro: "_ Quando bebo o sangue do meu namorado, o senso de intimidade e de troca, é triplicado. Passamos a ser realmente um do outro."

Este assunto tem se tornado tão expressivo que pesquisadores como Carol Page, autora de "Bloodlust", Anny Rice, David Scall, dentre outros, têm tido muito trabalho a fazer. É de assustar os inúmeros casos de flebotomistas, andando pelas ruas de Los Angeles, Londres e São Paulo, a procura de quem queira ingressar nos seus clubes satânicos.

O Dr. Evi Laborini, protético e cirurgião dentista, diz: "É impressionante o número de chamados que tenho recebido para fazer próteses permanentes de presas de vampiros!"

No entanto, a prática desta abominação não é feita através de presas, isso é apenas um acessório fetichista, mas, sim, através de bisturis cirúrgicos, navalhas, e seringas.

Minhas emoções estavam completamente cauterizadas, eu não conseguia mais ter vergonha ou constrangimento pela minha situação, pelo contrário eu continuava a ser um prepotente e arrogante. A família já não me agüentava mais, ninguém mais sabia o que fazer comigo. Mas eu pensava: "_ Morto por dez, morto por mil. Que todos se danem!"

Certa noite, eu estava no meu quarto tentando dormir, eu nunca conseguia ter uma noite de sono tranquila, eu só conseguia dormir ou por exaustão, ou por embriaguez; mas, numa dessas noites apareceu-me uma mulher lindíssima e sedutora, parecia uma ninfa, uma fada, apresentou-se como Ninferite, e depois de seduzir-me, tivemos uma "relação" como nunca havia experimentado antes.

Aquilo foi uma terrível prisão, pois dia após dia, invocava, buscava e clamava a presença daquele espírito novamente, eu queria sentir de novo os prazeres daquela noite. Mas nunca mais aquele espírito me apareceu. A não ser quando estava no meio da minha libertação.

Hael era um dos mestres principais encarregados do meu treinamento, ele é também conhecido pelo nome de "Exu da meia noite".

Em 1988 voltamos para o nosso antigo bairro, mais uma vez estávamos em falência.

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