Igreja, Batismo e Vislumbres Do Chamado


O meu amigo estava feliz da vida, e me disse que deveria encontrar uma igreja para congregar. Então, eu e minha mãe procuramos pelo bairro e encontramos uma igreja. No domingo pela manhã, fomos até lá, participamos da Escola Dominical e no final procurei o Pastor para poder aconselhar-me, disse para ele que minha vida tinha sido dedicada a satanás desde o meu nascimento, e tal, e etc. Quando ele me interrompeu e falou com um sotaque americano:

_"Oh, non. Nós aqui non falar de Satan. Nos falar apenas de Jesus!"

Eu fiquei meio chateado, pois eu necessitava aprender sobre como lidar com o diabo, e pensei que todas as igrejas fossem daquele jeito.

Afinal como poderia alguém resistir a um adversário que nada sabe a respeito, ou que pensa ser ele inexistente e inativo.

Contei o ocorrido para o meu amigo, ele perguntou onde tínhamos ido e mais que depressa marcou para fazermos uma visita à residência do seu Pastor.

Chegando o dia marcado, fomos até a casa do Pastor em questão, logo ao entrar, os mais susceptíveis ao mundo espiritual sentiram a forte presença maligna na casa.

Dei uma introdução do meu envolvimento com Satanás para o Pastor, então informou-me que deveria escrever num papel os nomes dos demônios, das práticas, etc.

Imediatamente obedeci, e escrevi naquele papel o que pude lembrar-me, mas é óbvio que não conseguiria entrar em detalhes, não conseguiria montar um dossiê completo do meu passado num curto espaço de tempo.

Sendo assim renunciei o que pude, e o Pastor expulsou todos os respectivos espíritos referenciados naquele papel.

Note: a expulsão e a renuncia não tinham sido realizadas de forma completa, no entanto aqueles demônios realmente se foram, com a ordem dada em Nome de Jesus. Para em seguida voltarem com reforços. Digo voltarem, pois, o Senhor Jesus disse, que eles sempre tentam voltar - Mateus 12.43.

A seguir, o Pastor deu-me o endereço de uma igreja na região onde morava, cujo pastor presidente acreditava nos dons do Espírito Santo, e era um pregador do Evangelho Pleno. Fiquei extremamente feliz em poder conhecer uma igreja de verdade.

Mas para mim o meu amigo continuava a ser o meu líder, o foco da minha observação, atenção, admiração e imitação estavam voltados para ele. E prontamente se ofereceu para nos conduzir e apresentar ao homem que ficaria sendo o meu pastor.

No domingo marcado e tão esperado, seguimos rumo à igreja, lá chegando, um forte senso de superioridade e prepotência tomou conta do meu ser, havia em mim um certo desprezo por aqueles cristãos. Tive vontade de ir embora, não queria ficar naquele local mal acabado, cheio de pessoas que me olhavam como se eu fosse um "alien".

Quando começou o louvor, fiquei admirado com a qualidade e o estilo musical que tocavam, jamais poderia imaginar que os crentes poderiam tocar e cantar músicas agitadas; a alegria, o júbilo, a satisfação daquelas pessoas me contagiaram.

Comecei a fazer tudo o que meu amigo fazia, se ele levantasse a mão eu fazia o mesmo, se ele pulasse eu pulava, se batesse palmas eu também batia.

Ao finalizar o louvor, percebi que o guitarrista tomou a Palavra e pude então verificar que ele era o pastor.

Comi cada palavra dita por aquele homem, ele falava sobre minha vida sem ter me conhecido.

Após o encerramento fomos apresentados, conversamos muito e marcamos o batismo nas águas, a se dar num lago na região de Embú-Guaçu onde meu primo era pastor (esse primo tivera orado por mim durante muitos e muitos anos); puxa amei aquele pastor e sua mulher. Nós recebíamos uma maior atenção pelo fato de sermos recém chegados e isso causava certo ciúmes nos membros mais antigos.

No dia do batismo, estavam reunidas muitas pessoas, alguns parentes, pastores e crentes locais. Vestimos as túnicas de batismo, meu primo e outro pastor ministravam, e em fila entramos no lago, primeiramente eu, depois minha mãe, meu irmão e meu tio.

Logo a seguir, a mulher do meu pastor compartilhou uma visão que teve no momento que sai da água, disse ela que desceram dois anjos do céu e se colocaram do meu lado, um deles era um anjo do ministério de libertação, esse regressaria a Deus, até que eu tivesse sido qualificado para exercer tal ministério.

Isso me deixou extremamente orgulhoso. Mas não sabia nada a respeito do que era "estar qualificado" e do porque aquele anjo teve que regressar a Deus até o momento certo.

Hoje entendo perfeitamente. Eu era um neófito, arrogante e cheio de recalques ocultistas, que precisavam ser renunciados, precisava haver um arrependimento genuíno. Eu precisava me humilhar diante de Deus.

Nota Importante: Esse pastor, era e é um homem de Deus, que prega a palavra. Mas após ter um contato com aquele outro tipo de teologia, quando fiz o primeiro questionário do meu passado.

Teologia aparentemente mais DESLUMBRANTE, achei a igreja dele, meio sem graça, no que se refere a: Chamar Atenção!!! E comecei a entrar em conflitos comigo mesmo. Eu queria que todos viessem me perguntar o quão poderoso eu havia sido. Eu queria muito atenção. Pra Jesus o primeiro tem que ser o último. Não há lugar pra esse tipo de sentimento no reino de Deus.

Eu era arrogante, gostava de fama e poder. E vi que haviam diferenças teológicas e que, pelo fato de todas as igrejas serem evangélicas eu poderia optar e ficar em alguma que se encaixasse mais, com os meus “gostos”. A igreja desse pastor, que ficou sendo meu pastor por muito tempo, era muito simples, pessoas humildes e tementes a Deus, de muita oração e muita palavra. Mas que não tinham muita coisa complicada e deslumbrante, e eu gostava do “complicado”.

E a outra igreja, pessoas que pareciam ser mais a “minha praia”, não no sentido financeiro, pois eu estava literalmente na bancarrota. Refiro-me a um certo sentimento de misticismo, algo que me era muito familiar. Eu pensava, puxa algumas coisas são parecidas.  

Mas havia algo lá dentro de mim, que me dizia: cuidado!  Sai fora!!!!! Tudo era uma armadilha, não exclusiva pra mim, mas um sofisma terrível, que ainda hoje esta em voga!!!!

 

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